Rastros da cidade

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Os rastros da cidade carregam em si muito mais do que pegadas.

Histórias de vida, de luta, de conquista, ou apenas a vida te dando uma última cartada.

É no solado gasto que a memória do homem se agrega.

É pelas ruas da cidade, à massa entregue ao caos, que a memória traféga.

Incontáveis passos que se alternam em um compasso acelerado de sombra e a luz, compondo a melodia da cidade que torna o cotidiano massante a tua mais pesada cruz.

Entre ruas, viadutos, vielas e becos, ao som da buzina incessante da cidade é que lhe pergunto: como pode, em meio ao caos, ainda haver tamanha invisibilidade?

Você me diz que lhe resta apenas a sombra do anonimato, um suspiro entre os rastros das pegadas de teus sapatos.

Suas trilhas pelo chão de cimento gélido e sem fim, contam sua história por completo, muito melhor do que qualquer folhetim.

Vejo seu mundo em seus sapatos surrados.

E entre linhas paralelas, o contar da história de uma cidade que, com tamanha estranheza, ainda pode ser bela.

Bjs,

Tutu

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