a VIDA depois de gerar uma vida.

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Passados quase 11 meses de ausência…cá estou eu novamente por aqui. Confesso que toda essa ausência tem motivo, nome, quase 9 kilos, 2 dentes e anda ocupando toda a minha vida e o meu coração.

Confesso que quis voltar antes, desejei postar mil coisas, ressurgir no mundo virtual, mas também quis abandonar tudo, fechar o blog, desistir do domínio.

Enfim…

São muitos meses para poucas palavras…ou nem tão poucas.

Se uma coisa é certa, essa é que a minha VIDA nunca mais foi a mesma depois do dia 27 de Dezembro de 2015.

E foi a partir dessa afirmativa que comecei a pensar no meu post de “retorno”.

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Vivenciar o nascimento de um filho foi algo que sempre me instigou. Pensava como seria gerar uma nova vida, as responsabilidades, o amor. Esse tal de amor verdadeiro e incomparável de uma mãe e um filho.

Cansa? Dói? Tudo muda? E o parto?

Realmente o mistério que envolve a gestação e o EXISTIR de uma criança é algo divino que maravilhosamente só nos é apresentado no momento da troca do nosso primeiro olhar.

Acho isso tão incrível. Nunca ansiei que meu filho viesse com um manual de instruções, por mais difícil que isso seja. Mesmo que hoje, passados tantos meses, ainda seja entender o por que ele chora.

Eu queria aprender como era ser mãe, mesmo tendo certeza de que muitas vezes não seria fácil. Queria entender o que ele pensava, o que doía, o que o deixava feliz.

 EU QUERIA. Eu realmente DESEJAVA ser mãe.

E vasculhando a vida mais um pouco, com meu diagnóstico não muito otimista e toda uma vida fervilhando ao mesmo tempo, esse desejo se intensificou de uma tal forma que acabou escolhendo por si só o meu caminho. Em questão de meses, minha vida tinha se tornado um desejo profundo e verdadeiro de ser mamãe.

De uma forma tão intensa que apenas Deus e meu marido deviam me entender. Onde abrir mão de coisas que até então eram tão importantes e me pressionavam tanto, passaram a não me fazer mais sentido algum.

Sabe aquele momento da vida que você tem que optar entre sua família e o resto todo?

Ele chegou para mim…

Quem passa por esse doloroso caminho, sabe o quanto um desejo de felicidade plena pode se transformar em um caminhar lento, cheio de percalços e lágrimas.

Mas dentro de mim eu sempre senti que toda essa preparação era um presente, uma chance de me preparar para ser uma mãe melhor do que eu imaginava que seria, ou tentaria. Pois se antes havia alguma dúvida ou medo, esses eram parte do meu passado. Estava pronta para recebê-lo.

A transformação começou ai.

Os dias foram passando e a nossa angustiante espera chegou ao fim. De uma forma tão maravilhosa que eu achei que não viveria. Pensei que a situação mais clichê que existe (teste de farmácia) nunca aconteceria em minha vida. Achei que as coisas seriam mais mecânicas e previsíveis.

Mas Deus me deu esse presente e eu lembro direitinho do dia da melhor notícia da minha vida. Lembro muito bem que olhar para o meu marido, perplexo de felicidade, só se igualou ao momento em que nos olhamos ao pé do altar. Sabe aquele momento em que os olhos dizem tudo em milésimos de segundo?

Foi um dejavu aprimorado :)

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E eis que a gestação foi avançando, o amor aumentando de tal forma que ja não cabia em mim (literalmente, rs). Nessa altura eu achei ter entendido esse amor incomparável que mencionei no começo do texto.

♥ Doce inocencia ♥

No dia 27 de Dezembro, às 12:55 nasceu o Edgar. Meu menininho lindo!!!!

E que sensação foi aquela?

Só conseguia tremer de ansiedade e chorar de tanto transbordar emoção. Foi intenso. De repente você sente algo tão único, inicialmente estranho e avassalador. Uma mistura de tanta coisa que eu não sei até hoje dizer o que é. Só sei que é MUITO mais intenso do que eu pensava.

E é só tudo se tornar de fato real que a vida MUDA.

Sim, a minha vida mudou no primeiro choro do meu filho.

9p1a6010cE quando eu falo em mudança, essa não é nem de longe à aquela carregada de ressentimento e dor que tanto anda se espalhando pelo mundo virtual.

Sou avessa à polêmicas e fujo fácil de uma briga, mas de uma coisa eu posso dizer: não compactuo dessa corrente pessimista da maternidade. De que gerar um filho seja sinônimo de dor e solidão. Sinceramente eu não consigo compreender como alguém que opta por gerar um ser, possa afirmar de que não foi avisada de como seria.

Como você pode esperar que sua vida não mude, e para muitos radicalmente, sendo que você de fato tomou a decisão mais radical que se pode existir?

Não sou ingenua em achar que a vida é fácil e bela em 100% do tempo, mas ela já estava longe de ser muito antes da chegada do meu filho. Por quê agora tenho que descarregar esse peso em suas pequenas e frágeis costas?

Muitos e muitos dias eu me sinto exausta, afinal de contas eu tenho que cuidar de um ser completamente dependente de mim.

Mas de verdade, eu escolhi encarar a chegada do meu filho como uma benção imerecida.

Por mais difícil e cansativo que possa ser, ter meu bebê (pensando que poderia nunca tê-lo tido) crescendo perfeito e ver minha vida se renovar todos os dias, com a oportunidade de ser melhor, de me auto questionar e avaliar aquelas arestas à serem polidas…

Isso não tem preço.

Não tem troca.

Isso é renascer.

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Obrigada, filho.

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